E aí a gente encontra alguém. Investe, empresta um pedacinho de si, ama, abraça, beija, promete. E, na grande maioria das vezes, acaba tendo que matar depois. Não o sujeito, não o amor, mas um pedacinho da gente. Um pedacinho que vira pedação, e se o azar for grande, sobra pouco.
Matamos a vontade, a saudade, o cheiro no travesseiro, as músicas. Um assassinato de significantes que por algum tempo foram partes quase inseparáveis do que alguns chamam de “alma” e outros de “essência”.
E como é cruel renomear tudo o que deixamos de ser. Igualmente cruel é imaginar que talvez pudéssemos dominar o mundo com uma casa boba no lago e dois cachorros. Em pouco tempo, imaginar também vai parecer estúpido visto que a base de nossa casa no lago é construída por mentiras, logo, afundará, nos levando junto.
Não existe regra pra deixar ir, existe? Questionar, odiar, fazer odiar. Não dá. É desesperador. Areia movediça! Quanto maior o movimento, mais rápido afundamos. Vamos devagar! Uma parte importante morreu, mas o resto está tão vivo que sofre com a gente. Por mais que a solidão pareça tão latente agora, há algo que nos move, há algo aqui que não precisa do outro.